Todo mundo mundo tem uma tia de adoração....a minha eram duas, a tia Estela e a tia Júlia.
As duas professoras, as duas independentes, donas de seus narizes....parece que nada as intimidava. Eu pensava : Quero ser como elas, quando crescer.
Tia Júlia era o lado vaidoso, bonita, cabelos pintados, maquiaguem...muito sacudida! ah! como eu gostava de olhar para ela. Tudo que ela fazia eu achava lindo!
Ela gostava muito dos filhos de sua irmã Zenaide, tinha verdadeira paixão. Mas eu não me importava com isso, ela também me dava alguma atenção.
Tinha um namorado, motorista de ônibus, que tinha dia e hora para passar por Tijucas. Então, várias vezes ela me levou para os rápidos encontros, quando ele dava uma paradinha no onibus numa esquina qualquer, com os passageiros dentro.Ali eles conversavam rápidamte. Nunca me interessei na conversa, mas....ficava ali, esperando uma caixinha de bombons "Neugbauer" sortido, destinado aos passageiros que ele me dava. Voltava com a mesma felicidade dela para casa. Comia o chocolate, economizando muito, para durar.
Lembro incluisive das músicas que ela cantava sempre neste trajeto.
Ela sempre foi uma pessoas muito afetiva, enfim ela me encantava......
Meu pai, na época, eu não entendia por que, tinha algumas ressalvas quanto ao comportamento dela...
Tia Estela, era diferente, era mais recatada, porém aos meus olhos, não menos bela.
Que unhas bonitas! Que pernas bonitas! Roupas bonitas!
Ela estudava e trabalhava em Fpolis, ia aos finais de semana para Tijucas. Lembro de minhas tardes de sábado, na casa dela, indo de um lado para outro dentro de casa, acompanhando seus movimentos . Arrumava seu quarto (eu parada na porta), fazia as unhas (eu na mesa ao lado) enfim, era meu prazer admira-la e acompanhar tudo que fazia, ao mesmo tempo desejando fazer parecido quando chegasse o meu tempo.
Na época, meus pais, com poucos recursos e cinco filhos para criar, era ela quem me ajudava. Sempre tinha um dinheirinho para deixar comigo, trazia uma sandalia nova (tinha uma de salto!!!Upi), bota, calça Lee, tecidos e modelos que as meninas usavam na cidade ,tudo que era moda e eu nao podia adquirir...Meu primeiro absorvente, foi ela quem deu, eu nem sabia bem pra que servia. Passeios nos finais de semana para a praia (bonze total), cinema em Fpolis, (robeto carlos, em ritmo de aventura, Uau!)FAINCO (feira da indústria e comércio), até boate em Camboriu (Ah! se o pai soubesse).
Acontece que o tempo passou.
Eu cresci e quiz voar também!
Este foi o marco do fim de minha relação com minhas fontes de admiração, minhas tias.
Álias, com tia Júlia, mudou pouco, sempre que me via (até hoje), tinha um elogio, um interesse verdadeiro,uma pergunta, algo legal para dizer...
Tia Estela....Ah! que pena!
Foi o fim de um relacionamento que pensei que seria eterno. Ela tentou me dar alguns conselhos de como me comportar em uma cidade grande, nomoros....e infelizmente acabou! se afastou!
Desceu sobre ela um cortina de amargura, inveja,revolta...nem sei dizer o que seria, mas mudou, muiiiiiiito!!!
Sempre a procurei, mesmo porque amava minha querida avó.
Mesmo a vó, que era uma santinha, sentia a revolta e o rancor dela em relação a vida.
Minha avó tinha um espírito de luz, de jovialidade diante da vida, mesmo com 80 anos completos, e tantos problemas na vida. A tia, parecia ter 100 anos, não parava em casa, deixava muitas vezes a vó sózinha, dias, e minha mãe dava toda a assistencia que estava ao seu alcance.
Resumindo este relato.....porque escreveria a noite toda:
Hoje ela está sózinha na vida, é uma pessoa extremamente egoista e complicadíssima!
Até chego a pensar que ela tem um problema de saúde igual ou pior do que a minha mãe.
Esta minha suspeita foi confirmada pela minha médica, que também já lhe atendeu.
Só que ela não procurou mais a médica, fugiu, porque não quer que lhe digam o que não quer ouvir.
As vezes penso que tenho que fazer algo por ela, já conversei com meus irmãos, mas...não tenho coragem , nem força pra isso. Ela reage, enfrenta e agride a gente.
O Nado ainda consegue um dialogo, apesar da revolta dela, ela ainda ouve.
Ela tem umas idéias fixas, absurdas...umas manias loucas.
Sofro tanto com o estado da minha mãe, que jogo o problema dela para a frente....
Peço que Deus tenha pena dela e um dia eu consiga fazer algo de útil.
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