terça-feira, 1 de setembro de 2009

Meu pai....






Meu pai!
Ah! meu pai ,quanta coisa eu tinha para falar de ti...
Não poderia dar continuidade a este blog sem falar no meu pai, coisa que, parece que eu estava resistindo.
Registrei sobre a minha mãe e preciso , mesmo que brevemente ,falar dele.
Ficaria tres dias escrevendo , mas não vem ao caso.
Apenas afirmar sem traumas, que te perdoo, te aceito e procuro entender , mas confesso não é fácil.
Quando se fala sem tramas, já significa que eles existem....
Meu pai é o típico exemplo de uma pessoa que passou pela vida lutando.
Lutando e se debatendo.
Às vezes eu o acho um vencedor ,outras eu o classifico de covarde.
Como uma pessoa nascida em uma familia muito pobre, lutou para se colocar na vida
Não teve tempo de ser criança.
Sempre teve uma revolta , que tentava esconder quando estava fora de casa, diante dos muitos amigos ou no desempenho da profissão.
Mas...quando estava em casa , deixava cair a guarda e ficou muito a desejar como esposo e pai.
Mas como esposo do que como pai, porque posso justificar sua severidade na criação dos filhos , como uma intensão (exagerada), de acertar, de fazer seu papel da pai, criando filhos responsáveis e bem colocados na vida.
Isso, a qualquer custo, sem dizer claramente por que agia daquela forma...
Hoje diante tudo, eu tento tirar as melhores explicações, porque a maturidade me fez entender que uma pessoa não pode ser má por opção.
Talvez tenhas errado por querer tanto acertar.
Mas....algumas cicatrizes são para a vida!
Ferem fundo a alma!
Hoje olho para ele e tenho um sentimento estranho, de pena, magoa, raiva, carinho...tudo misturado.
Como se fosse para justificar toda sua impaciencia , revolta , intolerancia,agressividade , ele manteve um lado enfermo na vida.
Maneira que eu acho, que ele encontrou para justificar tudo, e ser perdoado talvez.
Durante muitos anos ele cultivou uma procura louca por médicos, remédios e exames.
Quanto mais exames, melhores eram os médicos....passou por várias especialidades!
Nunca cansava e nunca tinha um diagnóstico para suas queixas, mesmo porque elas mudavam muito.
Hoje sei que ele buscava atenção e cuidados, coisas que poderiam estar em casa, mas não soube ensinar nem dar.
Com a idade foi tornando-se hipocondríaco.
Uma semana antes da minha mãe, ele fez 8O anos.
Realmente está caíndo dia a dia.
Apressa seu fim, pelo simples fato de ter medo dele.
Sei que ninguem conta com a morte, mas não podemos viver atormentados, por isso.
Deixa de aproveitar o que resta, porque vai sentindo as limitacões naturais da idade fazendo disso um drama, no qual toda a familia se envolve.
Mas o registro foi mais para desabafo.
Talvez eu tenha uma versão totalmente equivocada da realidade.
Talvez ele seja mais vítima do que eu.
Minha luta é diária para entender, ajudar e não julgar.
De tudo isso ficou para mim um sentimento muito estranho com relação a ele.
Estranho , e dividido porque me pergunto: Como pode uma pessoa com tudo que descrevi acima, gostar de flores?
Apenas as pessoas muito sensíveis gostam e apreciam flores.....
Só por isso pai, estou do teu lado!
Deves ter muita coisa boa que não conseguisses passar pra nós.
Fique tranquilo, erramos muito na ansia de acertar.
Acredito que nada foi gratuito!!!!!

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